29 de março de 2017

Uma carta à um livro // 12 cartas em 12 meses


Olá!Hoje vou continuar o projeto 12 cartas em 12 meses, quase passando do prazo da carta de março, mas tudo bem hahaha Esse mês foi infinito pra mim e quase que escrevi agradecendo por finalmente março estar acabando! A UFPE tá consumindo os meus tempos livres (eu nem sei mais o que é tempo livre, fim de semana ou feriado) e assim fica cada vez mais difícil de postar. Mas vou dar o meu sangue pra continuar com isso aqui. Aquelas bem dramáticas, né? lol

  • Março: Uma carta de agradecimento.

Saudações O Fantasma da Ópera,
Tenho que ser honesta, escrever uma carta de agradecimento para um objeto é um exercício esquisito. Mas é à você mesmo, objeto, que tenho que agradecer. Vou até personificá-lo um pouco pra fazer sentido. 
Pensei em direcionar o meu mais humilde obrigado ao dono desta obra magnífica, Gaston Leroux, mas percebo que o meu amor por esse autor é novidade. Eu sempre amei sua criação, mas nunca amei o criador. Depois pensei em agradecer à narrativa em si, porque sem ela não haveria livro. Mas sem essa plataforma incrível, eu nunca poderia ler as escrituras desse jornalista francês, ela provavelmente estaria nas mãos de copistas, leitores burgueses ou até mesmo teria se perdido ao longo desses cento e nove anos.
Então que tal agradecer ao inventor da prensa, Gutemberg? É uma ideia, mas queria ser mais específica. Queria falar de você em especial, que mudou a minha vida.
Eu passei a conhecer o conteúdo de suas páginas com oito anos de idade. Quem diria que uma narrativa gótica sobre um "fantasma" que vive nos subterrâneos da Ópera de Paris escrita na euforia dos primeiros anos de 1900, teria tamanho impacto na vida de uma criança periférica brasileira em 2007? É por isso que amo tanto a Literatura.
Me lembro muito bem do dia que assisti pela primeira vez ao fantasma na minha televisão. Foi uma das raras vezes em que a minha família se reuniu pra assistir à um filme e a primeira e única vez que um filme mexeu tanto comigo a ponto de me fazer chorar. Não vou discutir sua importância histórica nem sua analogia à fobia social. Muito menos vou falar que esse é o romance mais emocionante depois de Shakespeare ou que é a narrativa mais genial, porque não é verdade por mais que eu odeie admitir, mas vou dizer que foi essencial para construir quem eu sou hoje. Assim que o filme terminou (na verdade uma minissérie  de 1990 estrelada por Charles Dance e Teri Polo), eu e minha irmã pegamos um caderno e começamos a escrever. E então nunca mais paramos.
Escrevo esta carta enquanto olho pra você, livro, bem posicionado ao lado do meu DVD da minissérie de 1990 e do filme de 1962. Foi uma luta pra conseguir uma cópia sua, parecia até que estávamos ainda no tempo dos livros reproduzidos à mão! Comecei a te procurar com oito anos e só pude finalmente vê-lo na minha estante com dezessete! Hoje ao invés de te esconder na biblioteca da escola o tempo todo (porque eu tinha um baita ciúme da nossa relação), eu posso te reler em qualquer lugar e na hora que eu quiser. Você sempre me tira das maiores ressacas literárias ou bloqueios criativos. Então tenho que te agradecer por muita coisa.
Uma promessa que eu fiz à mim mesma foi que te agradeceria por escrito na primeira página do meu primeiro livro, se um dia conseguisse publicar. Outra promessa, essa bem mais fácil de cumprir, é que eu te marcaria pra sempre na minha pele. Pra quando você não estivesse por perto e eu precisasse me inspirar.
Obrigada infinitamente, 
Thainara

16 comentários:

  1. Adorei o texto! Super lindo! Achei legal saber da importância dele na sua vida!
    Instagram @brunaestiloitgirl
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    Beeijos (:

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  2. Wonderful post, dear!
    I'd be happy friendship blogs ♥
    Julia Shkvo

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  3. Olá. Você falou tanto desse projeto que eu estava ansiosa para poder ler a carta. A escola/faculdade realmente toma muito do nosso tempo, é horrível. O texto está lindo, eu amei! Até mais!
    http://colecionandoa.blogspot.com.br/

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  4. Olá! Nossa, nem me fale. Faculdade é aquele negócio que você sabe que vai ser bom para sua vida, se não acabar te matando. Haha! "Eu sempre amei sua criação, mas nunca amei o criador." Eu nunca tinha parado para pensar nisso, acredita? Quando se trata de música, amo sim, o criador e a obra, mas na literatura é diferente... Nos afeiçoamos pelos personagens e não pelo autor. Que carta magnífica, estou simplesmente apaixonada por sua escrita. Me ganhou.
    Carinhosamente, Jheni.
    empire k. || written feelings

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    1. Oi! Exatamente! melhor definição hahaha
      É uma coisa legal de se refletir sobre, não? Normalmente quando eu amo mais de um livro do autor, eu acabo indo atrás da vida dele. Ai ou eu o amo ou o odeio.
      Muito obrigada!!!

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  5. Eu deixei esse teu post pra ler depois e acabei esquecendo, mas lembrei e voltei aqui! Antes tarde do que nunca.
    Primeiro preciso dizer: tu escreve muito bem! Sério, adorei essa carta. Nunca li nem vi O fantasma da ópera, mas se mexeu tanto assim contigo, deve ser maravilhoso. Adoro essas obras que nos inspiram e influenciam nossa vida, acho super valiosas <3 também tenho algumas que queria agradecer, fico pasma em como esse tipo de coisa pode impactar nossas vidas.
    Adorei, nunca deixe de escrever :D

    Beijo!
    http://tipsnconfessions.blogspot.com

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    1. Sim, que bom que voltou! hahaha
      Obrigada!!! :3
      Sim, é um romance fantástico e que nunca cansa!
      Eu tenho milhares de obras às quais preciso agradecer por ter formado meu olhar sobre tantas coisas, obras que me criaram, mas com certeza O Fantasma da Ópera foi a mais importante pra mim.
      Não deixarei! <3

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  6. Que lindo Thai!
    Eu sempre leio algo novo, então não sei a emoção e delícia que deve ser reler alguma coisa, mas já vi o filme da adaptação mais recente de O Fantasma da Ópera e amo cada detalhe, cada música e os atores escolhidos. Certa vez até me arrisquei cantarolar alguns trechos. É lindo, né? Pena que eu não tenha lido o livro ainda... :/ Obrigada pela indicação!

    Com carinho,
    Conto Paulistano.

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    1. Obrigada!!
      Eu raramente releio um livro também, ele tem que ser muito importante pra mim pra merecer uma releitura hahaha
      Eu gosto muito do filme de 2004 também, mas na verdade é uma relação de amor e ódio haha os fãs da obra de Leroux entendem.

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