5 de junho de 2017

A maldição e a benção que é ter muito pra dizer

Em um dos posts aqui do SEMFM, eu recebi um comentário que me deixou muito feliz. Assim que eu li, minha primeira reação foi sorrir e tirar print (para dias que eu preciso enxergar minha existência nas concepções positivas que as pessoas fazem de mim). Eu devo ter lido umas quatro vezes. E a última frase do comentário foi a que me marcou mais. "Admiro muito quem tem tanto a dizer como você" (Obrigada, leitor, você me fez rir e pensar).

Então, eu tenho muito a dizer. Já escrevi dois ou três posts em que falo disso. Num deles eu digo " Ando achando que estou meio vazia. (...) Vazia de palavras não! Estou tão cheias delas que me escapam sem consentimento! (...) Se a vida continuar trazendo-me palavras, e os meus dedos não me falharem, continuo escrevendo. Senão, boto um ponto final nesse infinito." Em outro, esse mais recente (o meu "comeback" depois que parei de postar no meio de 2015), no qual falo sobre a razão de eu amar a blogosfera e precisar dela, eu falo "(...)Eu era um poço de palavras, um poço bem fundo... (...) Mas a minha vida mudou drástica e felizmente. (...) Foi quando meu poço secou pra dar entrada à um novo vocabulário, este que uso atualmente. Não sei se terei olhos pra lê-lo e muito menos se terei os mesmos olhos de antigamente. Não importa, façamos tudo de novo."

Lendo esses posts, um datado de vinte e nove de maio de dois mil e quinze e outro de dezoito de julho de dois mil e dezesseis, é possível notar o quanto eu amo estar "cheia de palavras" e o quanto às vezes isso pode ser odiável. No post mais antigo, eu me reclamo de ter tanto pra falar, mas me sentir rodando e rodando sem sair do lugar. Eu reclamo de questionar tanto, mas não me encontrar em nada. Reclamo do meu medo de "pontos finais". No post mais recente, eu explico o motivo de eu ser tão apegada a esse pequeno espaço na surface da internet. Isso aqui pode ser muito irrelevante em muitos aspectos, mas eu sinto como se eu precisasse falar e ver que alguém está me ouvindo. Mesmo que só uma pessoa. Eu preciso de comentários como o que citei acima pra reafirmar o sentido da minha "validade" nesse mundo. E eu, tenho sim, muito pra falar. Sendo da coisa, no meu critério, mais relevante, ou da coisa, no meu critério, mais irrelevante.

Aqui, como eu pus na minha pequena descrição no sidebar, é onde eu derramo tudo o que está dentro de mim e que eu não consigo botar pra fora. Aqui é uma bagunça. Como eu sou. Como pessoas que acham que têm muito pra dizer são.
Eu, pessoalmente, acho que todo mundo tem muito pra falar. Cada um é um universo. Como Locke (um filósofo inglês, pra quem não conhece) falou, somos uma tábula rasa, ou uma página em branco, que a experiência vai preenchendo. Pensando assim, cada pessoa tem muito pra dizer, baseado em sua construção de mundo pelas suas experiências, mas não todas têm a necessidade de dizer. Isso tem a ver com muitas coisas. Por exemplo, não temos mais aquele amparo interior que nos fazia procurar o "porto seguro" em nós mesmos, na nossa própria essência. Somos muito dependentes do olhar do outro, e isso nos faz querer falar pela necessidade de buscar alguém que nos compreenda, alguém que concorde com a gente.

Não é todo mundo que sai por ai falando de suas divagações. E por muito tempo, eu achei que esta era uma posição egoísta, afinal, com o pensamento do outro, podemos aprender muito. Hoje, eu não sei se penso assim. Há muitas forças que agem. Minha irmã mais velha, por exemplo, não fala muito, porque acha que não têm nada de importante ou novo pra falar. Eu também não acho que eu tenha nada de novo pra falar, mas desconsidero esse pessimismo de achar que o que vem do outro ou de nós mesmos não é importante. Eu sempre me surpreendo ao receber comentários positivos aqui. E normalmente, eles vêm nos posts que eu mais fico insegura em publicar.

Novamente, não sei se esse post fez sentido. Mais um problema em ter muito pra dizer é que é necessário saber como organizar essas ideias. Eu nunca consigo acompanhar minimamente bem o que eu penso enquanto escrevo, mas vir aqui e tentar, me faz sentir menos prisioneira de mim mesma.


*A imagem que usei pra ilustrar o post, é de um filme chamado "Becoming Jane" que seria quase uma biografia amorosa da Jane Austen. Recomendo fortemente!*

4 comentários:

  1. Eu também sinto muita necessidade de falar, e isso vem um pouco da minha insegurança, tudo que vou fazer eu preciso compartilhar e pedir a ajuda de alguém mesmo que eu saiba o que eu quero bem lá no fundo. Eu acho essa minha necessidade de falar bom algumas vezes porque por exemplo, quando brigo com o meu namorado eu boto tudo pra fora e me esvazio por dentro mesmo falando merda a maioria das vezes, já ele guarda tudo pra si e só explode as vezes o que eu acho muito ruim.. Não sei, fico bem confusa! :(
    Foi bom ler seu pensamento, me senti como se tivesse lendo algo de uma amiga e desabafando logo em seguida..
    http://www.corujasemasas.com.br
    Beijinhos. <3

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  2. Me sinto assim como você, sempre tenho muito a dizer, e ter o blog é tipo um cantinho em que posso falar tudo o que quero sem incomodar ninguém, afinal as pessoas só leem se tiverem vontade haha No meu caso, penso muito rápido e adoro criar histórias por aí, contando o que fiz ou qualquer coisa que venha na minha cabeça. Já pode ver por esse comentário aqui, ficando longo... Acho que aquele que tem muito a falar e contribuir é uma pessoa muito feliz, afinal a mente trabalha rápido e podemos compartilhar nossos pensamentos com os outros :)

    Beijinhos ^_^
    http://tipsnconfessions.blogspot.com

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  3. Eu também me sinto muito assim, sinto a necessidade de falar e, por vezes, acabo a falar demais, sabes? Certas coisas devia mesmo guardar só para mim mas é difícil quando só te apetece dizer tudo o que vem à cabeça :s
    Beijinhos,
    An Aesthetic Alien | Instagram | Facebook
    Youtube

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  4. Acho que se eu não te conhecesse e tivesse lido esse post, juro que não teria pensado o que eu pensei. Meio bugado, mas eu quero dizer que conhecendo a pessoinha que escreve nesse blog, dos posts mais legais e superficiais até os sentimentais, digo que tudo isso pode ser a nossa verdade - como eu acredito que seja. Mas eu cito nossa igual vontade de escrever e ao mesmo tempo temer (FORA) sobre a reação das pessoas. Acho que tudo tem seu tempo e suas palavras certas pra dar certo. Os comentários que tu comentou no post são puramente reais. Tem vezes que eu leio teus posts e fico "Thainara que escreveu isso? Thainara Thainara?". Não que isso signifique que tu não teria capacidade de escrever. Na verdade, o contrário. É incrível descobrir a cada dia mais formas de usar as palavras como tu faz aqui no teu blog e nas provas que tira os 10,0 na vida né nam?
    Enfim, acabando aqui meu comentário escrito na aula de Sociologia da Comunicação enquanto João fala de Deus e o professor comenta, quero dizer que gostei muito muito de te conhecer e espero que os próximos 4 anos sejam tão adoráveis quanto esses 4 meses que passaram!!!
    Mano esse comentário ficou melhor que o texto de aniversário na moral kkkkkkkk

    Beijos,
    proximaprimavera.com

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