15 de julho de 2017

Minha bolsa amarela // 12 cartas em 12 meses

Esse post tá bem atrasado, mas eu o escrevi sem atraso nenhum. Acontece que eu não sentia que era hora de postá-lo ainda, esse texto estava muito mais comigo do que com vocês. Não sei se dá pra entender. Mas aí está, com 15 dias de atraso. Estou bem melhor e, possivelmente, achei minha bolsa amarela.
Acabei de chegar do ato pelas Diretas Já, e como sempre, estou me sentindo meio utópica e meio gerascofóbica. O que combina muito com a carta de junho.
  • Junho: Uma carta para a infância.

Eu tenho um livro velho na estante pra sempre que eu me sentir uma bagunça completa, ler.
Já fazia algum tempo que eu não me sentia assim, então eu nem lembrava mais dele.

E acho que eu não me sentia assim, porque eu não estava realmente pensando em como me sentia.

Até ano passado, eu existia em vários lugares e pra várias pessoas. Eu tinha muitas coisas a fazer e resolver. Mas ai, antes do ENEM, eu meio que cai na armadilha de pensar no que eu queria fazer pra a vida toda. Comecei a me autoanalisar demais, a tentar decifrar meus sentimentos.  Foi quando eu quase me senti uma bagunça, mas não deixei que o pensamento se instalasse, voltei a me atarefar e sair de casa todos os dias.

Esse ano, porém, eu estou na universidade e só. Eu tenho outras atividades, mas ainda assim, parece que a universidade é onde eu moro agora. E ai, eu me acomodo, e começo a pensar em mim mesma. E eu odeio fazer isso, mas quando acontece, é difícil parar. No entanto, infelizmente, isso vai acontecer vez ou outra e eu preciso aprender a lidar. 
Eu tenho 18 anos e parece que eu vivi um monte e ao mesmo tempo não vivi nada. Quando falo sobre mim mesma, parece que eu me conheço muito, mas sempre que alguém me chama pelo nome, eu ainda preciso me lembrar que Thainara sou eu.

E agora, Thainara é uma bagunça.

Em um curto espaço de tempo, minha vida deu um salto ridículo. 2017 mudou tudo e nada. E eu não estava preparada de jeito nenhum. Quer dizer, não que eu fosse estar um dia.

E eu ando pensando bastante em você, infância. É uma saudade que eu sempre vou ter, eu acho. Hoje, um amigo me enviou uma música do John Lennon que me lembrou a minha época de criança. Quando eu ainda era um monte de coisas sem ser realmente nada. Quando eu não estava preocupada em ser alguma coisa. Nesse tempo, eu ia sempre para a casa da minha tia, e a gente ficava lá contando histórias de terror e depois assistíamos algum DVD de clipes antigos. Elton John, Bryan Addams, Air Supply, Cindy Lauper... Eu amava tanto aquelas pessoas, aquela casa e aqueles DVDs que sempre pensei que nunca pararia de passar minhas tardes lá. E um dia, eu cresci. E minha infância foi embora levando um monte de coisa junto.

Às vezes eu me pego pensando que deveria ter feito mais. Que fui muito precoce em certos pontos, mas em outros, estendi minha infância por um tempo demasiadamente longo. Demasia pra mim, que sou geração z, que morro de medo de sair do lugar, mas fico aflita por achar que estou paralisada. Eu nunca vou te entender, infância, mas a saudades que eu tenho de você é, eu tenho certeza, eterna.

Então, essa semana, no ápice da minha confusão mental, eu fui até a estante e peguei meu exemplar velho e surrado de "A Bolsa Amarela" da Lygia Bojunga.

É incrível pra mim, quanto uma criança inventada em 1976 me representa tanto.Sempre que eu leio esse livro, eu me sinto a Raquel. Eu morro de vontade de ter uma bolsa amarela também, pra guardar minhas vontades. E no momento, eu sou um poço de vontades. E elas desatam a crescer que nem as da Raquel, só que eu não tenho onde guardá-las. E eu não gosto que elas fiquem por ai, fazendo amizade com as pessoas. Porque então elas criam pernas e de repente eu nem sei mais onde eu estou.

Decidi que minha bolsa amarela vai ser alguma atividade que me exija frequência e esforço, mas que não seja nada acadêmica. Não sei ainda qual vai ser, mas tem que ter um fecho bem forte, pra esconder as minhas vontades e a coisas que elas vão inventando.

Enquanto isso, eu tenho a Raquel, o Afonso (ou Rei), a Lorelai, a guarda-chuva, o fecho bebê...
E como a Raquel gosta, eu tenho uma história pra ler que começa e termina. Tenho várias pra ler e reler enquanto a minha própria história está enguiçada que nem a da guarda-chuva, namorada do Afonso.

Literatura é minha única certeza agora. E eu acho que vai ser sempre.

Thainara
P.S.:Eu sinto muito muito sua falta. Mas acho que vou ter que enfiar a saudade dentro da minha bolsa amarela também.

6 comentários:

  1. Poxa, pensar demais sempre nos leva a esse momento de nos sentirmos perdidos, pelo menos ao meu ver isso funciona assim.
    A Bolsa Amarela é um dos meus livros preferidos, li quando era menor e só soube me perder nas palavras e nessa história.
    Tô na torcida pra que você encontre sua bolsa amarela!
    Adorei sua carta!

    Beijos <3

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    1. Pois é :c
      Sério??! Eu AMO esse livro!!
      E acho que já achei sim :') Obrigada!!

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  2. Oie!
    Nossa, esse livro tem uma Raquel como protagonista =O Em todos esses anos nessa indústria vital, é a primeira vez que vejo isso. Imagino o quanto ele deva representar pra você, e é ótimo que possa recorrer a ele sempre que precisa se sentir mais confortável.
    Acho que a faculdade é um total teste de paciência e um grande esforço físico e psicológico. Eu também sinto muita falta de como eu era antes, com tempo e com coisas diferentes pra fazer, coisas que eu gostava muito mais do que ter que ir pras aulas que tenho hoje. Mas sei lá, acho que faz parte da vida. É só um tempo pra transição e você se adaptar ao novo mundo que acabou de entrar :)

    Boa semana :)
    http://tipsnconfessions.blogspot.com

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    1. Uma Raquel, imagine só hahaha
      Pois é, a universidade pode ser bem difícil, mas se não fosse isso, eu provavelmente estaria passando por outra coisa que me traria esses sentimentos. Eu tenho 18, aparentemente é uma regra natural passar por isso.

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  3. R: Aw, linda, obrigada <3 Certamente os dias maus irão passar e o sol irá sorrir! Já começou <3

    Adoro a forma como escreves, e adorei a parte onde disseste que tens 18 anos e parece que não viveste nada. Sinto-me completamente assim! Estou quase a fazer 18 anos e, mesmo já ter passado por muito, sinto-me uma criança e nada pronta para o mundo lá fora :P Espero que a vida te sorria e que consigas realizar o teu sonho <3

    Beijinhos,
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    1. Aah!! <333
      Obrigada!!!
      Acho que prontas nunca vamos nos sentir, a gente precisa encarar mesmo, sabe. Faz parte.

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