19 de janeiro de 2018

Eu só escrevo tragédia nesse site

e aí eu cansei. Cansei mesmo de a minha escrita depender da minha mediocridade. Cansei de achar criatividade apenas no lado mais escuro de mim mesma. Cansei de mostrar pra vocês que a vida é uma coisa só - trágica - e tentar enxergar beleza nessa tragicidade que existia somente na minha cabeça e da qual eu não precisava.
Ainda bem que nada é uma coisa só e o que eu produzo não tem que vir de um só lugar. Eu sou um monte e devia expelir um monte também. Sabe o que é? A gente acha a juventude um momento bom pra curtir a melancolia. E até é, mas não só. A melancolia é bonitinha, sabe. A melancolia é brilhante, fonte dos mais belos poemas românticos e das músicas mais efetivamente tocantes. Mas a paz mental é além disso. Não tem nem nome pra o que ela é ainda. E melhor nem ter, deixa ela ser a liberdade dessa prisão de palavras que a gente mesmo é.
Decidi que já que só tenho as palavras pra dançar comigo, vou levá-las pra uma balada pop de vez em quando. Esse ano eu quero tentar achar mais genialidade em Jane Austen que em Goethe (a comparação é absurda, mas mais absurdo ainda é a minha incessante implicância com os finais felizes). Eu nunca me dei a chance de me importar mais com o que é sorridente e talvez seja isso que esteja faltando. Também se não for, partiremos pra outra. Até isso acabar, acho que vou ter tentando um monte de coisa. Felizmente.

22 de dezembro de 2017

Dois mil e dezessete

Eu passei três meses sem saber pra onde ir, e por mais que tenha sido assustador, foi como se eu estivesse experimentando liberdade pela primeira vez. Daí eu me inscrevi no único curso que eu tinha capital pra fazer por cinco anos, e surtei como jamais havia surtado até o dia do resultado. Resultado dado, eu não poderia estar mais feliz e ansiosa, comprei roupas novas, material escolar novo e assisti vlog de faculdade até o dia 06 de março, finalmente, meu primeiro dia de aula. Os primeiros meses de faculdade foram incríveis como tinham que ser! Sempre ouvi que os anos universitários são os melhores anos da nossa vida, então estava feliz e excitada com toda e qualquer coisa sobre a universidade. As pessoas eram estranhas demais, diferentes demais e tristes demais, mas talvez fosse só uma primeira impressão distorcida na minha tola cabeça juvenil e pós-terceiranista. Só que os meses foram passando e a única coisa que mudava era minha animação. 

Relembrei Kiss from a rose do Seal (soundtrack do Batman, se não se lembra) e ela virou uma das minhas músicas do ano, mas a tristeza da faculdade me fez querer ouvir Damien Rice. Parecia estranho que eu não tivesse uma vida nem um pouquinho melhor do que aquelas pessoas e ainda assim, não quisesse chorar no ônibus, mas escutar Spring Awekening e imagina que sou uma estrela da Broadway. Gente que eu achava muito vibe Bette Davis se achava um lixo e isso me fazia desacreditar de todos os meus heróis. Evidentemente, como escrevi nesse post, eu sou facilmente influenciada pelo meu contexto e Kiss from a Rose foi quase estragada pra mim. Nunca fui de realmente sentir a tristeza nem nada, mas às vezes é bom (acabei descobrindo e redescobrindo uma montanha de coisas sobre mim). Tem um quote no filme Heathers que sempre foi um dos meus mantras, "If you were happy every day of your life, you wouldn't be a human being. You'd be a game show host". Só que estar triste o tempo todo não é tão tumblr quanto a Violet de AHS faz parecer. E aí eu bebi um monte porque tava na bad, escrevi só texto triste nesse blog, tive crises de pânico pela primeira vez, minha autoestima decidiu se divorciar de mim e esperei de todo meu coração e alma (se eu tiver uma) que isso fosse apenas um tempo de adaptação. 

Reassisti Capitu, reli A Bolsa Amarela e passei a pôr todos os maus e bons pensamentos no papel. Melhor pra fora do que pra dentro! Completei 18 e foram os dias mais terríveis e intensos da minha vida. De toda forma, foi um ano satisfatório academicamente. E isso pode parecer menor, mas é tão importante pra mim quanto estar bem. Li Lolita* e amei e odiei ao mesmo tempo! Tenho um quarto só meu agora e devo passar mais tempo à noite tentando superar os medos noturnos do que dormindo, mas tudo bem, porque é como se eu tivesse um lugar no mundo. Por causa de quatro paredes, exatamente. Fiz umas amizades esquisitas, mas bem boas. Gente que tinha uma infantilidade admirável, não porque eram imaturas, mas porque eram menos racionais a ponto de não exatamente temerem o que é arriscado. Gente inspiradora que me lembra o Jack Kerouac ou o Alexander Supertramp. Conheci uma galera legal por causa do blog também e isso foi o que me fez continuar com esse espacinho sem muita relevância para o mundo. Daí li o posfácio de Lolita e Meu Deus! Será que é tão especial pra mim quanto O Fantasma da Ópera? e Eu amo o Nabokov! mas depois Eu odeio o Nabokov! O caso é que conheci uns lugares incríveis em Caruaru e estou me esforçando a acreditar que qualquer lugar no mundo pode ser maravilhoso com uma boa companhia (de pessoas ou de Pessoa) e música boa. 

Meu ano foi meio amarelo Van Gogh, mas eu acho que gosto de amarelo.

E eu sobrevivi ao primeiro ano da universidade! Achei que não estivesse preparada para os 71 dias de férias, mas eu estava tão genuína e notavelmente alegre e cansada no último dia de aula que me ultimei a decidir que está na hora do natal. Que venham os especiais na televisão, Mariah Carey, os vlogmas, Dickens, panetone, O Estranho Mundo de Jack... E o último é até engraçado, porque esses onze meses e meio foram realmente a nightmare before christmas

2017 foi tão decepcionante, mas apesar de toda a frustração, me fez lembrar que o mundo é o único lugar onde eu posso ler um bom livro.

E então, enfim, 2018!

*Vai ter um post legal sobre Lolita que tá bem atrasado, mas vai ser realmente legal, eu juro!

18 de novembro de 2017

Diário de Leitura 003 e Assistidos recentemente 004 (Mês do horror!)

Enfim pessoal, demorei anos e anos pra contar os updates das maratonas aqui pra vocês mas cá estou eu, aos 45 do segundo tempo, escrevendo sobre o mês mais lindo do ano (competindo só com dezembro, que também está FINALMENTE chegando!). Foi quase uma maravilha. Eu tinha tais metas, e não consegui ler: O médico e o monstro, pois o meu exemplar não era o mesmo que eu lembrava há uns anos e eu não sou uma boa companheira para livros muitos velhos, ou seja ou eles ou a minha saúde e decidi escolher a última; Garota Exemplar, por um motivo horroroso, eu odeio a capa do filme e eu simplesmente ficava desmotivada toda vez que olhava o livro, então desisti. 
Não consegui ver: Stranger things, só por preguiça de começar uma nova série mesmo (enquanto escrevo isto, estou assistindo Gilmore Girls pela milésima vez); O bebê de Rosemary, porque tenho um medo do c****** desse filme e minhas amigas não tiveram coragem de ver comigo, então... 
Mas, contudo, todavia, entretanto, eu consegui todas as outras metas e adicionei mais filmes e séries à lista. Li Caixa de Pássaros no primeiro dia de maratona e já falei sobre ele aqui. Daí fui à feira de livros da cidade e comprei uns negócios, e então comecei a ler Lolita do Vladimir Nabokov (que vou falar sobre no blog em breve). Voltei a ver Scream Queens e rever The Vampire Diaries e até tentei começar Dexter, mas sem sucesso. Também assisti um monte de filmes bons e ruins, entre eles 13 cameras, mas não tenho muito a falar sobre. Nos últimos dias de outubro, comecei a ir bem mal nas maratonas e a 24h Readathon Halloween Edition não foi lá um grande sucesso (dormi por 11h), então nos primeiros dias de novembro, eu aproveitei a vibe de dia dos mortos e fiz uma outra maratona 24h que deu muito certo (mas não li nenhum dos livros da TBR, li Tash & Tolstói da Kathryn Ormsbee, terminei Lolita do Nabokov e Viajante Solitário do Jack Kerouac).
Diário de Leitura
Miniaturista
Que livro esquisito! Ele era tão lento e pointless que me dava sono, mas sempre que tava perto de terminar alguma parte (porque ele é dividido em quatro partes), acontecia alguma coisa muito inesperada e instigante. De qualquer forma, eu gostei muito da leitura. Tem uns diálogos MUITO bons e o final é, apesar de triste, realmente bem pensado.
Sete ossos e uma maldição
É um dos meus livros preferidos da vida! Não é nenhum Edgar Allan Poe nem nada, mas foi um dos primeiros livros de terror que eu li quando eu tinha lá meus belos e calmos 11 anos. Decidi reler porque não lembrava de nada e que coisa boa! Me deu aquela vontade de escrever só por escrever mesmo, sem ganância nenhuma (o que infelizmente não acontece mais com tanta frequência).
Acho que não tenho muito a falar sobre o livro em si, sabe? É uma coletânea de contos de horror da Rosa Amanda Strausz e todos se passam com crianças ou adolescentes e num cenário bastante brasileiro, o que é definitivamente o melhor do livro. Acho que meu conto preferido é o Dentes tão brancos, sobre uma garota que vai à uma festa com o tema morte e todos os convidados têm que ir fantasiados das mortes que acham legais ou de como querem morrer (façam essa festa por favor, que ideia maravilhosa!), daí a nossa mocinha extremamente romântica, aluga uma fantasia de época pra representar aquelas heroínas incríveis que morrem por amor. O resto eu não vou contar, mas é tão curioso quanto essa festa haha
Assistidos Recentemente
Scream
Bem, não acho que vou falar sobre essa série aqui novamente, então, vejamos: É bem ruim, mas eu gostei. É simplesmente uma junção de todos os clichês de filme de terror americano, o que é uma brilhante ideia na minha opinião, se a própria série também não fosse clichê. Só que eu gosto de filme trash e a série me agrada nesse ponto, é também muito rápida e cheia de representações de moda que eu gosto de ficar prestando atenção.
The Bad Seed
Eu li o livro no começo do ano e passei décadas pra ver o filme, mas finally I did. O filme é muito bom, mas o melhor dele é com certeza os créditos (e você vai ter que ver pra entender) e talvez o final meio peculiar. Eu queria demais problematizar o que acontece no fim (não por ser diferente do dado pelo William March, mas por ser incrivelmente esquisito que aquele foi o final quisto pela população estadunidense de 1956) mas seria um grande spoiler, então fiquemos apenas com: É a adaptação cinematográfica do livro de mesmo nome que conta a história de uma mulher norte-americana nos anos 50 que teme que a pequena filha de oito anos seja uma psicopata assassina. Foi um dos primeiros filmes de terror a tratar da maldade infantil, se é que se pode chamar assim, e com certeza, um dos grandes precursores do gênero. Gostei muito mesmo.
Creep
Eu não sabia de jeito nenhum que esse filme era do mesmo criador de Hush (que eu já falei sobre aqui) e descobrir isso nos créditos finais foi muito bom, porque eu amei esse filme! Foi um daqueles momentos tipo "Ah, claro!" 
Sério, é muito difícil que eu veja filmes de terror contemporâneos e norte-americanos e ache que são de boa qualidade, mas aqui está um que faz jus ao gênero e, com certeza, ao seu título. É sobre um cinegrafista que é contratado pra fazer uns trabalhos pra um cara muito muito creepy. Que final, guys.
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